Benin - Nossa viagem de mentirinha para o Benin
Vanessa e eu partimos para o Benin na Sexta-Feira, dia 26 de Julho de 2024. Resolvemos fazer uma viagem curta, só para conhecer os principais pontos turísticos do país. Por sorte, encontramos um voo Guarulhos-Cotonou pela LATAM. Ida e volta saiu pela bagatela de 26.000 reais. E ainda tivemos uma feliz surpresa: fizemos conexão em Paris. Ah, Paris. Pena que foi só para trocar de aeronave. Mas foi bacana ver a Torrei Eiffel pela janela do avião.
DIA 0 - Chegada ao Benin
Chegamos em Cotonou já bem cansadas da viagem, mas morrendo de fome. O clima estava ameno, vinte de dois graus. Nos contaram que havia chovido a tarde.
Pegamos nosso traslado para nosso hotel. Escolhemos o Novotel de Cotonou, pois é perto da praia e está na lista dos melhores hotéis da cidade. Nosso quarto era ótimo e tinha vista para a piscina.Como já era muito tarde, resolvemos pedir um hamburguer para comer no quarto. Tomamos um banho bem gostoso e fomos dormir. O dia seguinte seria cheio.
Acordamos de manhã por volta das 8h. Descemos para o café da manhã e escolhemos uma mesa ao lado da piscina. Fazia um dia muito bonito de sol.
Nós contratamos um tour privado para conhecer Cotonou, Porto Novo e Ajudá. Custou 46.000 reais, pois como não fomos ao Togo dessa vez, eles conseguiram desmembrar o passeio para a gente, contemplando apenas o Benin. Nosso guia se chamava José e ele falava português fluentemente, pois era descendente de uma família de Agudás.
DIA 1 - Conhecendo Cotonou
Nossa primeira parada foi logo a super impressionante estátua das Agodjie, na Esplanade des amazones, praça que homenageia as guerreiras de um dos poucos (eles dizem único, mas tenho minhas dúvidas) exércitos guerreiros de mulheres do mundo.
De lá seguimos para a Place du Souvenir. Achei essa praça da hora. Nosso guia nos contou que em 1977 um avião fez um pouso improvisado no aeroporto de Cotonou. Só que na verdade era tudo um golpe. Um mercenário francês chamado Bob Denard desembarcou em Cotonou com outros 80 mercenários para depor o presidente socialista Kérékou. O Bob Denard esteve envolvido em outras dezenas de golpes de estado pelo mundo. O Presidente Kérékou conclamou os cidadãos do Benin a refutarem o golpe. A reação foi bem sucedida, porém sete pessoas morreram durante o confronto. Elas são hoje homenageadas na Place du Souvenir.
DIA 2 - Passeio pela Veneza Africana e Ajudá
Acordamos cedinho e partimos com nosso Guia no nosso mercedes benz privativo para Ganvié. Ganvié é uma comunidade do sul do Benin que vive em palafitas, sobre as águas. Por esta razão é conhecida com a Veneza Africana. A história desse lugar é muito legal: Essa comunidade surgiu na época da escravidão. O povo de Ganvié se refugiou no meio da água para fugir da captura dos escravagistas. Hoje em dia é uma comunidade formada basicamente por pescadores. Nosso guia nos disse que se conseguíssemos pescar algo com um pescador local que iria nos acompanhar, poderíamos almoçar nosso peixe por lá mesmo.
E foi exatamente o que aconteceu, exceto que quem pescou o peixe foi a Van! Foi super legal. Acompanhamos todo o trabalho sobre o peixe, desde tirar as escamas até limpar o peixe por dentro. Ele foi assado á moda local e estava uma delícia.
De barriguinha cheia, partimos para Ajudá onde fizemos uma parada na Maison Du Brésil, um museu local construído em um ex casarão da Família De Souza (aquela mesmo). É uma casa gêmea da Casa do Benin, que temos em Salvador. Lá vimos algumas exposições sobre a história do Benin e da sua histórica relação com o Brasil.
Depois disso fomos para um dos mais esperados pontos da nossa viagem. O Portão do Não Retorno. O Portão do não retorno é um monumento que fica na praia em Ajudá, simbolizando o último portão da África pela qual os escravizados passavam antes da sua travessia atlântica. É um lugar que te faz pensar muito e precisa ser visitado com muito respeito. Gostamos muito de conhecer esse local.
Voltamos para Cotonou já no finzinho do dia, escurecendo. Resolvemos jantar no Hotel, decidimos que não iriamos nos aventurar muito sozinhas a noite, então ficamos curtindo o hotel. Jantamos gostoso e depois assistimos um filminho antes de dormir.
DIA 3 - Porto Novo
Partimos para Porto Novo as 8h da manhã, com nosso guia. Nossa primeira parada foi a Mesquita de Porto Novo. E essa Mesquita é da hora por duas razões: Uma é que fica ao lado de um templo de vodu. Desde o CAPS álcool e drogas de Brasília que ficava ao lado de uma delegacia, fazia tempo que eu não via vizinhos tão pitorescos e interessantes. E a outra coisa é que essa Mesquita é uma bela duma Igreja Católica.
Expliquemos: A comunidade Muçulmana encomendou a construção da Mesquita aos melhores construtores da região: Os agudás, os ex-escravizados retornados do Brasil. Quando receberam a encomenda de uma Mesquita, os Agudás usaram a sua referência de construção religiosa, que basicamente são as igrejas catolicas colonais do Brasil.
Descobrimos que os Porto-novenses são muito orgulhosos da sua mesquita, não ficaram nem um pouco chateados da mesquita parecer uma igreja. É muito legal ver três religiões se entrelaçando no mesmo quarteirão.
Nossa segunda parada foi no Musée Honmè. Esse museu fica no antigo palácio real do Rei Toffa. Hoje é um Museu super bacana e que me lembrou muito o palácio real que foi retratado no filme Mulher Rei.
Terminamos nosso passeio por Porto Novo no Musée da Silva des Arts et de la Culture Afro-Bresilienne. Esse Museu é super interessante e é todo dedicado à cultura afro-brasileira. A principal área do museu fica na antiga casa da família Paraíso, umas das mais importantes familias da região. O Museu chama "da silva" pois foi fundado por um "da silva", o Karim Urbain da Silva, um importante intelectual e escritor do Benin, que inclusive já foi cônsul honorário do Brasil no Benin, antes da criação da nossa embaixada por lá.
Depois do passeio fomos almoçar no Restaurant Art Résidences, um dos melhores restaurantes da cidade. Novamente optamos por um cardápio mais convencional: Franguinho com batatas, porque o seguro morreu de velho. Estava uma delícia.
Depois de comer voltamos à Cotonou onde passamos o dia curtindo nosso hotel e os drinks e petiscos na piscina. O dia seguinte seria cheio e hora de retornar ao Brasil.
DIA 4 - Retorno ao Brasil
Esse dia acordamos um pouco mais tarde, por volta das 9h, pois sabíamos que as 26 horas de viagem que teríamos pela frente seriam bem desafiadoras. Tomamos um café bem gordo e lento pois nosso plano era só jantar, antes de embarcar às 23h. Por volta do meio dia subimos para o quarto para arrumar nossas malas.
Programamos um late check-out para as 18h então colocamos nossas roupas de banho e voltamos para a beira da piscina, pois fazia um lindo dia de sol e muito calor. A van ficou se bronzeando e eu fui para a academia, aproveitar um pouco a esteira. Pedimos uma porção ali pelo meio da tarde e logo subimos para tomar nosso banho e partir para o aeroporto.
Chegamos no aeroporto de Cotonou as 19h. Despachamos as malas, comemos um hambúrguer e embarcamos. Consegui comprar vários livros em francês, finalmente de escritores Beninenses, no próprio Benin.
A viagem foi cansativa, a volta no geral cansa muito mais do que a ida. Nos animamos quando fizemos nossa conexão em Paris, afinal, quem é triste em Paris não é normal. Na segunda metade do voo conseguimos dormir bastante.
Quando chegamos em São Paulo estava um frio do c******. Chegamos em casa e adivinha quem estava na porta? A Victória. Entregamos para os gatinhos as lembrancinhas que trouxemos para eles: cinco gatinhos de bonequinhos de vodu com catnip. Eles adoraram.
Essa foi a nossa viagem para o Benin. Mal podemos esperar pela próxima!



















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